Tenho algumas paixões. Dentre elas, um companheiro que venho conhecendo desde que posso escolher para onde olhar. Talvez por coincidência sejamos xarás. O céu e eu, eu e o céu. Cada vez que acompanho a linha que o céu desenha no horizonte, eu reparo também em seus amigos. A lua, as estrelas, os cometas, o arco-íris, as nuvens, o sol. Percebo também que, quando eles se pintam no céu, não podem deixar de dar presentes a ele. Cores. Cor-de-noite-estrelada, cor-de-nuvem-clara, cor-de-meio-dia, cor-de-rosa-céu, cor-madrugadeira e tantas cores e matizes. Para poder ver essas cores, eu tenho que girar a cabeça acompanhando o giro do mundo. E neste giro que dou, me sinto dentro de um CALEIDOSCÓPIO¹gigante, cercada por uma infinidade de imagens, feitas de cores exóticas e fulgurantes, que mudam a todo o momento, guiando meus olhos, que extremamente atentos, não se cansam de vê-las. Essas imagens me ensinam o quanto somos tantos, sendo apenas um, me ensinam o quanto somos multicoloridos e o quanto de beleza há em o ser. No fundo eu sei que cada um de nós, é a combinação perfeita destas cores, telas inteiras pintadas por um Deus que de aquarela e pincel em punho, um dia sonhou com um mundo todo azul. Somos a combinação de cores que resulta em nos desenharmos uns nos outros. Olhar o céu, me ensina todas estas coisas e me ensina acima de tudo, que somos todos caleidoscópicos.

Outras cores:


* Menina da Pá Virada


* Garota bossa-nova


* Bastidores da Alma


* Cidadão do Mundo


* Nua como a Lua


* Graviola Femme

O que passou...


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* 17/07/2005 a 23/07/2005



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1:

Caleidóscópio: mágica de transformar em infinito aquilo que é limitado.


 

 

                                        Gustav Klimt

 

 

 

Porque sou o que há de mais novo em mim,

a cada dia...

Porque sou o que ganho de presente da vida,

a cada dia...

 

 

Transição


O amanhecer e o anoitecer

parecem deixar-me intacta

Mas os meus olhos estão vendo o que há de mim,

de mesma e exata.

Uma tristeza e uma alegria

o meu pensamento entrelaça,

na que estou sendo a cada instante,

outra imagem se despedaça.

Este mistério me pertence

Que ninguém de fora repara

nos turvos rostos sucedidos,

no tanque da memória clara.

Ninguém distingue a leve sombra

que o autêntico desenho mata.

E para os outros vou ficando,

a mesma. Continuada e exata.

Chorai óh, olhos de mil figuras!

Pelas mil figuras passadas

e pelas mil que vão chegando

noite e dia.

Não consentidas,

 

mas recebidas e esperadas.

 

 

Cecília Meireles

 



Pintado com as cores de Ceu às 19h56
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Hoje é dia de alguma coisa que não sei... Dia inteiro sem saber pra onde me virar, tudo solto, meio perdido... Mas é dia de fazer!! O quê?? Ah, se alguém dissesse.. Até procurei em alguns olhos, no meu caderninho de ocasiões especiais, na ponta dos dedos... Mas nada! Hoje é dia... E meio tontamente não sei de quê... Sei que tem horas que penso que uma loucura vai me invadir. Paro! Me olho e vejo que já fui completamente invadida, e mesmo que isso me deixe uma intensa e vaga (loucura, eu falei..) sensação de não me pertencer, me sinto próxima, tão próxima... não sei quê... Aqui escrevendo isso, vem de longe um som que me entra pela sala (meu irmão ouvindo música) e diz um negócio que me arrepia as fibras... E ainda é hoje... vou procurar não sei o quê...

 

De fibras arrepiadas...

 

Metade

Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
pois metade de mim é o que eu grito
a outra metade é silêncio
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade
Que as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
pois metade de mim é o que ouço
a outra metade é o que calo
Que a minha vontade de ir embora
se transforme na calma e paz que mereço
que a tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
a outra metade um vulcão
Que o medo da solidão se afaste
e o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso
que me lembro ter dado na infância
pois metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o seu silêncio me fale cada vez mais
pois metade de mim é abrigo
a outra metade é cansaço
Que a arte me aponte uma resposta
mesmo que ela mesma não saiba
e que ninguém a tente complicar
pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
pois metade de mim é platéia
a outra metade é canção
Que a minha loucura seja perdoada
pois metade de mim é amor
e a outra metade também

 

(Oswaldo Montenegro)



Pintado com as cores de Ceu às 22h28
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Andava em outras terras cheirando novos ares,

mas a porta,

sempre aberta pra hora de voltar...

 

 

 

 



Pintado com as cores de Ceu às 17h30
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                                                       Peça: Duas Estações — Companhia: Edisca

 

 Luzes no palco, música intensa, movimentos fortes num ritmo cada vez mais voraz. Vinte bailarinos fazendo do corpo seu meio possível de expressão, motivo de encantamento de outros corpos completamente silenciados diante da beleza coreografada. Meu corpo silenciado e gritante em ondas internas... Como se cada gesto bailasse entre veias e pensamentos... Como se a harmonia frenética dos passos sapateassem-me de dentro em diante. Sempre tive verdadeiro fascínio pelo movimento do corpo ante a música, porque ante a música mesmo o que não movimenta, estranhamente vibra. A dança sempre me levou a lugares inesperados. Sentada na platéia diante do que acertadamente se chama de corpo de dança — um corpo formado de vários corpos —, fui sendo transportada para espaços dançáveis em meu próprio corpo. Ah, não se enganem, sempre fui uma desengonçada de marca maior, nunca consegui coordenar meia dúzia de passos sem tropeçar em meus próprios pés. Mas a música chama o corpo, mesmo que ele não saiba. E naquele instante, me senti chamada a abrir braços, a deslizar no ar, a girar ao sabor da melodia, a cansar o corpo na beleza de mergulhar na expressão dele mesmo. Agora, vou dançando nas calçadas, mesmo que tropece, danço quando acordo e quando durmo. Danço a dança de coreografar os dias, os caminhos que escolho percorrer. Danço porque a dança é o abraço alegre que dou na vida.



Pintado com as cores de Ceu às 21h51
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                                                                Foto: Flávio Colker

 

Maluca

Cássia Eller

Composição: (Luiz Capucho)

Num dia triste de chuva
Foi minha irmã quem me chamou pra ver
Era um caminhão, era um caminhão
Carregado de botão de rosas
Eu fiquei maluca
Por flor tenho loucura, eu fiquei maluca
Saí
Quando voltei molhada
Com mais de dúzias de botão
Botei botão na sala, na mesa, na TV, no sofá
Na cama, no quarto, no chão, na penteadeira
Na cozinha, na geladeira, na varanda
E na janela era grande o barulho da chuva
Da chuva
Eu fiquei maluca
Eu fiquei maluca

 

Estou maluca pela vida e por descobertas maravilhosas que estou fazendo depois que comecei aquela limpezinha na gaveta... Estou — como disse uma aluna enquanto interpretávamos a letra da música aí de cima — “enfrentando a chuva de fora pra poder levar uma chuva de flores pra dentro de casa”.  E dentro de casa vou abrindo as janelas pra que entre o que há de entrar e saia o que necessita sair...

 

Adoro cortinas
que se abrem
adoro o silêncio
antes do grito
adoro o infinito
de um momento
rápido
o instrumento gasto
o ator aflito
o coração na boca
antes
da palavra louca
que eu não digo

(...)

adoro as pausas
entre as canções
soluções da natureza
riquezas da criação.

                                                Zélia Ducan

 



Pintado com as cores de Ceu às 18h09
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Manhã de domingo, uma porção de trabalho pra fazer, coisas que fui deixando passar, que durante a semana inteira fui acumulando na gaveta e agora não cabem mais nela. Trabalhinhos fáceis: papéis por arrumar, alguns textos pra revisar, provas por corrigir, relatórios pra terminar. Coisas simples. Mas a gaveta está cheia delas. Manhã de domingo e eu não posso deixar de olhar pra minha própria gaveta. E não posso mais continuar só olhando pra ela. Abri tanto para por coisas inacabadas que agora ela me exige ser aberta pra acertar o que falta. Entro nela para retirar o que guardei. Minha gavetinha transborda de coisas que não fiz na semana inteira da vida. Projetos esquecidos, vontades guardadas, sonhos não amanhecidos. Tudo se espremendo lá por dentro. Gaveta aberta. Mãos à obra, que os inacabados estão pedindo tudo nessa manhã de domingo. E outra semana começa querendo mais espaço na velha gaveta.

 

 



Pintado com as cores de Ceu às 12h06
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Butterflies Day’s

 

Fazendo meu feijão esta manhã (coisa que só acontece de era em era, fique claro!), descobri que sou ridícula (mas já suspeitava disso, não sou boba). E não é porque estava cozinhando, não. É porque, enquanto fazia isso, lembrei sem nenhum motivo de um dia (semana passada), que depois de uma chuvarada, foi invadido por muitas asas. Eram borboletas. E eram tantas e tão rápidas e tão coloridamente festeiras que pareciam está num pic-nic em vôo rasante pela manhã. Foi o que meus olhos sentiram na hora. E hoje, ao sentir novamente as borboletas daquele dia, acabei sorrindo pro feijão. No almoço, ainda sorrindo, comi feijão com vôo rasante. Só aí tive a mais plena certeza: sou ridícula! Bem, antes tarde do que nunca! E fiquei mesmo contente de ser...



Pintado com as cores de Ceu às 01h38
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Isso é um teste. Ops, isso não é mais um teste. Agora é o caleidoscópio de volta depois de um tempinho hibernando. E como ele gosta muito de acordar com música tocando, fica aqui uma canção ganha durante o sonho.

 

Hóspede do Tempo

Composição: Fred Martins / Zélia Duncan

Sou hóspede do tempo
Da minha casa
Das minhas palavras
Das coisas que declaro minhas
Inquilina da vida que me foi dada
Portanto, nada
Ficou na minha bagagem
Do velho brinquedo
Que já não ilude, não me ilude

O que eu tenho é minha atitude
O que eu levo é minha atitude
O que pesa é minha atitude
Minha porção maior

 

                                                   Alice Ruiz

 

 




 



Pintado com as cores de Ceu às 01h12
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