Tenho algumas paixões. Dentre elas, um companheiro que venho conhecendo desde que posso escolher para onde olhar. Talvez por coincidência sejamos xarás. O céu e eu, eu e o céu. Cada vez que acompanho a linha que o céu desenha no horizonte, eu reparo também em seus amigos. A lua, as estrelas, os cometas, o arco-íris, as nuvens, o sol. Percebo também que, quando eles se pintam no céu, não podem deixar de dar presentes a ele. Cores. Cor-de-noite-estrelada, cor-de-nuvem-clara, cor-de-meio-dia, cor-de-rosa-céu, cor-madrugadeira e tantas cores e matizes. Para poder ver essas cores, eu tenho que girar a cabeça acompanhando o giro do mundo. E neste giro que dou, me sinto dentro de um CALEIDOSCÓPIO¹gigante, cercada por uma infinidade de imagens, feitas de cores exóticas e fulgurantes, que mudam a todo o momento, guiando meus olhos, que extremamente atentos, não se cansam de vê-las. Essas imagens me ensinam o quanto somos tantos, sendo apenas um, me ensinam o quanto somos multicoloridos e o quanto de beleza há em o ser. No fundo eu sei que cada um de nós, é a combinação perfeita destas cores, telas inteiras pintadas por um Deus que de aquarela e pincel em punho, um dia sonhou com um mundo todo azul. Somos a combinação de cores que resulta em nos desenharmos uns nos outros. Olhar o céu, me ensina todas estas coisas e me ensina acima de tudo, que somos todos caleidoscópicos.
Outras cores:
O que passou...
* 14/05/2006 a 20/05/2006
* 19/03/2006 a 25/03/2006
* 12/03/2006 a 18/03/2006
* 11/09/2005 a 17/09/2005
* 14/08/2005 a 20/08/2005
* 07/08/2005 a 13/08/2005
* 24/07/2005 a 30/07/2005
* 17/07/2005 a 23/07/2005
Links
1:
Caleidóscópio: mágica de transformar em infinito aquilo que é limitado.

Foto: Flávio Colker
Composição: (Luiz Capucho)
Num dia triste de chuva
Foi minha irmã quem me chamou pra ver
Era um caminhão, era um caminhão
Carregado de botão de rosas
Eu fiquei maluca
Por flor tenho loucura, eu fiquei maluca
Saí
Quando voltei molhada
Com mais de dúzias de botão
Botei botão na sala, na mesa, na TV, no sofá
Na cama, no quarto, no chão, na penteadeira
Na cozinha, na geladeira, na varanda
E na janela era grande o barulho da chuva
Da chuva
Eu fiquei maluca
Eu fiquei maluca
Estou maluca pela vida e por descobertas maravilhosas que estou fazendo depois que comecei aquela limpezinha na gaveta... Estou — como disse uma aluna enquanto interpretávamos a letra da música aí de cima — “enfrentando a chuva de fora pra poder levar uma chuva de flores pra dentro de casa”. E dentro de casa vou abrindo as janelas pra que entre o que há de entrar e saia o que necessita sair...
Adoro cortinas
que se abrem
adoro o silêncio
antes do grito
adoro o infinito
de um momento
rápido
o instrumento gasto
o ator aflito
o coração na boca
antes
da palavra louca
que eu não digo
(...)
adoro as pausas
entre as canções
soluções da natureza
riquezas da criação.
Zélia Ducan