Tenho algumas paixões. Dentre elas, um companheiro que venho conhecendo desde que posso escolher para onde olhar. Talvez por coincidência sejamos xarás. O céu e eu, eu e o céu. Cada vez que acompanho a linha que o céu desenha no horizonte, eu reparo também em seus amigos. A lua, as estrelas, os cometas, o arco-íris, as nuvens, o sol. Percebo também que, quando eles se pintam no céu, não podem deixar de dar presentes a ele. Cores. Cor-de-noite-estrelada, cor-de-nuvem-clara, cor-de-meio-dia, cor-de-rosa-céu, cor-madrugadeira e tantas cores e matizes. Para poder ver essas cores, eu tenho que girar a cabeça acompanhando o giro do mundo. E neste giro que dou, me sinto dentro de um CALEIDOSCÓPIO¹gigante, cercada por uma infinidade de imagens, feitas de cores exóticas e fulgurantes, que mudam a todo o momento, guiando meus olhos, que extremamente atentos, não se cansam de vê-las. Essas imagens me ensinam o quanto somos tantos, sendo apenas um, me ensinam o quanto somos multicoloridos e o quanto de beleza há em o ser. No fundo eu sei que cada um de nós, é a combinação perfeita destas cores, telas inteiras pintadas por um Deus que de aquarela e pincel em punho, um dia sonhou com um mundo todo azul. Somos a combinação de cores que resulta em nos desenharmos uns nos outros. Olhar o céu, me ensina todas estas coisas e me ensina acima de tudo, que somos todos caleidoscópicos.

Outras cores:


* Menina da Pá Virada


* Garota bossa-nova


* Bastidores da Alma


* Cidadão do Mundo


* Nua como a Lua


* Graviola Femme

O que passou...


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Caleidóscópio: mágica de transformar em infinito aquilo que é limitado.


  

                                                       Peça: Duas Estações — Companhia: Edisca

 

 Luzes no palco, música intensa, movimentos fortes num ritmo cada vez mais voraz. Vinte bailarinos fazendo do corpo seu meio possível de expressão, motivo de encantamento de outros corpos completamente silenciados diante da beleza coreografada. Meu corpo silenciado e gritante em ondas internas... Como se cada gesto bailasse entre veias e pensamentos... Como se a harmonia frenética dos passos sapateassem-me de dentro em diante. Sempre tive verdadeiro fascínio pelo movimento do corpo ante a música, porque ante a música mesmo o que não movimenta, estranhamente vibra. A dança sempre me levou a lugares inesperados. Sentada na platéia diante do que acertadamente se chama de corpo de dança — um corpo formado de vários corpos —, fui sendo transportada para espaços dançáveis em meu próprio corpo. Ah, não se enganem, sempre fui uma desengonçada de marca maior, nunca consegui coordenar meia dúzia de passos sem tropeçar em meus próprios pés. Mas a música chama o corpo, mesmo que ele não saiba. E naquele instante, me senti chamada a abrir braços, a deslizar no ar, a girar ao sabor da melodia, a cansar o corpo na beleza de mergulhar na expressão dele mesmo. Agora, vou dançando nas calçadas, mesmo que tropece, danço quando acordo e quando durmo. Danço a dança de coreografar os dias, os caminhos que escolho percorrer. Danço porque a dança é o abraço alegre que dou na vida.



Pintado com as cores de Ceu às 21h51
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