Tenho algumas paixões. Dentre elas, um companheiro que venho conhecendo desde que posso escolher para onde olhar. Talvez por coincidência sejamos xarás. O céu e eu, eu e o céu. Cada vez que acompanho a linha que o céu desenha no horizonte, eu reparo também em seus amigos. A lua, as estrelas, os cometas, o arco-íris, as nuvens, o sol. Percebo também que, quando eles se pintam no céu, não podem deixar de dar presentes a ele. Cores. Cor-de-noite-estrelada, cor-de-nuvem-clara, cor-de-meio-dia, cor-de-rosa-céu, cor-madrugadeira e tantas cores e matizes. Para poder ver essas cores, eu tenho que girar a cabeça acompanhando o giro do mundo. E neste giro que dou, me sinto dentro de um CALEIDOSCÓPIO¹gigante, cercada por uma infinidade de imagens, feitas de cores exóticas e fulgurantes, que mudam a todo o momento, guiando meus olhos, que extremamente atentos, não se cansam de vê-las. Essas imagens me ensinam o quanto somos tantos, sendo apenas um, me ensinam o quanto somos multicoloridos e o quanto de beleza há em o ser. No fundo eu sei que cada um de nós, é a combinação perfeita destas cores, telas inteiras pintadas por um Deus que de aquarela e pincel em punho, um dia sonhou com um mundo todo azul. Somos a combinação de cores que resulta em nos desenharmos uns nos outros. Olhar o céu, me ensina todas estas coisas e me ensina acima de tudo, que somos todos caleidoscópicos.

Outras cores:


* Menina da Pá Virada


* Garota bossa-nova


* Bastidores da Alma


* Cidadão do Mundo


* Nua como a Lua


* Graviola Femme

O que passou...


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1:

Caleidóscópio: mágica de transformar em infinito aquilo que é limitado.


 

 

                                        Gustav Klimt

 

 

 

Porque sou o que há de mais novo em mim,

a cada dia...

Porque sou o que ganho de presente da vida,

a cada dia...

 

 

Transição


O amanhecer e o anoitecer

parecem deixar-me intacta

Mas os meus olhos estão vendo o que há de mim,

de mesma e exata.

Uma tristeza e uma alegria

o meu pensamento entrelaça,

na que estou sendo a cada instante,

outra imagem se despedaça.

Este mistério me pertence

Que ninguém de fora repara

nos turvos rostos sucedidos,

no tanque da memória clara.

Ninguém distingue a leve sombra

que o autêntico desenho mata.

E para os outros vou ficando,

a mesma. Continuada e exata.

Chorai óh, olhos de mil figuras!

Pelas mil figuras passadas

e pelas mil que vão chegando

noite e dia.

Não consentidas,

 

mas recebidas e esperadas.

 

 

Cecília Meireles

 



Pintado com as cores de Ceu às 19h56
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